SÉRIE INSTRUTORES SKATE #01 | Filipe BaraBoard School – São José dos Campos

Arquivo: Filipe
O skate entrou na vida dele cedo. Aos 5 anos de idade, depois de ver um skate na casa do primo, foi amor à primeira vista. O primeiro shape veio pelas mãos do pai e, desde então, já são 22 anos de rolê, rua, campeonatos, vivências e, principalmente, dedicação total ao skate como estilo de vida.
As sessões de rua desde pivete marcaram sua trajetória, assim como as competições e o momento em que transformou o skate em profissão. Mesmo dividindo a paixão com o surf a partir da adolescência, o skate nunca saiu da base — sempre esteve ali, firme, acompanhando cada fase da vida.
A virada para a instrução veio de forma natural. Cursando Educação Física e com vontade de viver do que ama, recebeu o convite para dar aulas em um skate bar. Ali descobriu que ensinar skate era mais do que trabalho: era propósito. Incentivado pela esposa, por amigos e por grandes mentores, construiu uma carreira sólida unindo formação acadêmica, certificações e, acima de tudo, a escola da rua.
Hoje, trabalha com todas as idades e níveis, de crianças a partir de 1 ano e meio até alunos 60+, do iniciante absoluto ao skatista profissional. Sua metodologia valoriza os fundamentos, o respeito ao processo e a evolução gradual. Para quem já anda bem, o foco é corrigir vícios, alinhar a base e direcionar o rolê para os objetivos pessoais de cada aluno.
Com as crianças, a regra é clara: diversão em primeiro lugar. Aula lúdica, criativa e cheia de imaginação — às vezes até com o professor virando Homem-Aranha. Já com os adultos, o trabalho começa pelo entendimento do medo, pela segurança e pelo ensino consciente da queda, tornando o skate uma prática prazerosa e possível em qualquer fase da vida.
Ao longo da caminhada, já acompanhou atletas que chegaram ao alto nível competitivo, incluindo conquistas em campeonatos brasileiros, paulistas e etapas do STU. Para ele, formar campeões vai muito além de manobras: envolve apoio, estrutura, foco e, principalmente, formar skatistas de verdade, com visão de pista, fluidez e personalidade no rolê.
A mensagem final é simples e direta, como o skate deve ser:
comece, tenha paciência, valorize cada pequena evolução e se divirta. Porque no skate, mais importante do que acertar a manobra é seguir andando — com medo mesmo, mas sempre pra frente.
Uma session de conversa com Filipe Barrara

Arquivo: Filipe
/// Trajetória no skate
Há quantos anos você anda de skate e como começou?
Eu ando há 22 anos, comecei com meus 5 anos de idade quando vi um skate na casa do meu primo e foi amor a primeira vista, então o meu pai comprou um pra mim e desde então comecei a andar e não parei mais.
Quais fases do skate mais marcaram sua trajetória?
As sessões de skate na rua desde pivete com meus amigos, os campeonatos que pude participar e vivenciar e principalmente quando tornei o skate a minha profissão, podendo ensinar e compartilhar um pouco desse amor todos os dias.
O skate sempre esteve presente na sua vida ou houve pausas?
Sempre esteve presente desde os meus 5 anos, mas aos 12 anos conheci o surf e ai tive que dividir essa paixão.
/// Caminho até virar instrutor
Quando surgiu a ideia de se tornar instrutor de skate?
Eu já estava cursando educação física e tinha muita vontade de trabalhar com o que eu amo, o skate e o surf, então um amigo que estava abrindo um skate bar me chamou pra fazer as instruções de skate, eu topei, e ali descobri que era isso que eu queria para minha vida.
Houve alguém que te incentivou a ensinar?
Sim, a Maria minha esposa (namorada na época) que me encorajou a ir trabalhar com o que eu amo, o meu amigo Carlinhos que me fez o convite de trabalhar como instrutor de skate e o Michel Frederico que foi um grande mentor.
Você teve alguma formação específica ou tudo veio da vivência?
Eu sou graduado em educação física, capacitado pela FPS e pelo ABC em monitoria e aulas de skate, arbitro pela CBSK e formado também em ginastica natural, mas sem duvidas minha maior formação foi a rua, toda vivencia do skate e a busca constante por conhecimento.
Metodologia e níveis
Com quais níveis de skatistas você trabalha hoje?
Trabalho com todos as idades e níveis, desde 1 ano e meio de idade, até 60+ e também com todas as categorias, desde o infantil até skatistas profissionais.
Como você adapta o ensino para iniciantes?
O ensino para os iniciantes é muito satisfatório, por que consigo seguir certinho a minha metodologia, ir ensinando do zero e queda de forma gradativa, desde o início começando a se equilibrar no skate, descobrindo suas bases, tendo as primeiras quedas e aprendendo os primeiros fundamentos.
O que muda na abordagem quando o aluno já anda bem?
Mesmo quando o aluno chega até mim ja andando bem eu gosto de repassar os fundamentos, porque muitos trazem alguns vícios que se corrigido ajuda a evoluir e progredir muito mais o rolê. Então a diferença é que com esses alunos eu só faço as correções dos fundamentos básicos e depois o foco é direcionado para o objetivo dele, para quais manobras ele quer aprender.
Trabalho com crianças
Qual é o maior desafio ao ensinar skate para crianças?
É manter a atenção e o foco. Tento sempre ensinar de maneira lúdica, deixando a aula divertida e não maçante. Durante as aulas vou conversando com a criança e vendo do que ela gosta, como desenhos, filmes e personagens e depois uso disso para deixar mais entretidas. Muitas vezes sou o homem aranha kkkk
/// O que você considera mais importante nessa fase: Técnica ou diversão?
Diversão sempre em primeiro lugar, principalmente nessa fase. Se for divertido vai se tornar até mais fácil e prazeroso a evolução técnica.
Como você trabalha a questão da segurança?
Equipamentos de proteção e trabalhando o mental dos alunos. O skate é um esporte radical, todo mundo vai cair e acidentes acontecem, então temos que fazer o possível para evitar, usando os equipamentos, mas também é fundamental que estejam sempre sentindo confiantes no que estão fazendo.
/// Adultos e formação tardia
Muitos adultos estão começando no skate hoje. Como é esse processo?
O primeiro passo é entender o objetivo da pessoa, a grande maioria só quer dar um role para se divertir.
Os adultos conhecem mais os riscos e acabam temendo mais a queda, muitos com medo de se machucar e atrapalhar no trabalho, então sempre inicio trabalhando bem os fundamentos de queda, ensinando a cair e fazendo uso de equipamentos pra ser uma uma prática segura e satisfatória pra pessoa.
O skate tem limite de idade para começar?
Na minha escola eu coloco um limite de no mínimo 2 anos de idade, eu tenho alunos que começaram até mais novos, mas acaba sendo uma exceção, tem que analisar os sinais de prontidão de cada criança. Acredito que a partir de 2 anos é legal… claro que eles ainda muito dependentes e uma aula bem lúdica, mas já começa ali a ser plantada uma semente na criança.
/// Campeões e futuro
Você já acompanhou atletas que chegaram a competir ou se destacar?
Sim, acompanho desde atletas da categoria infantil até atletas profissionais. Os mais recentes que acompanhei no ano de 2025 foi a skatista Profissional Pamela Rosa na etapa do STU de Florianópolis que conquistou o primeiro lugar, a skatista Amadora Maria Valentina (MV) que foi campeã Brasileira e Paulista, e alguns skatistas da categoria Mirim como o Rafinha que conquistou 3º lugar no Brasileiro e Paulista, Gu Antunes campeão Paulista de MiniRamp e 5º lugar no Paulista de Park, Cadu vice campeão Paulista, entre outros skatistas que se destacaram.
O que um skatista precisa ter para se tornar campeão?
Eu poderia dizer que apenas muito foco e determinação, mas a realidade é que além de muito skate e força de vontade é importante que a pessoa tenha apoio, seja da familia ou de outros, para poder estar viajando, pagando as inscrições, treinando, ou até mesmo pra poder estar trocando de tênis e peças do skate, já que estragam o tempo todo.
Como você vê o papel do instrutor na formação de atletas?
Fundamental, e acho que antes de serem atletas é importante que sejam skatistas a cima de tudo, e é isso que gosto de passar nas minhas aulas.
O skatista tem uma visão de mundo diferente, consegue chegar em um lugar ou uma pista nova e visualizar uma infinidade de possibilidades para conectar varias manobras.
E o meu papel como instrutor é guiar e direcionar esse olhar de acordo com a personalidade e gostos de cada um, conectando as manobras de uma maneira fluida, aproveitando toda a pista e instigando a irem com muito power.
/// Mensagem final
Que conselho você daria para quem quer aprender skate hoje?
Comece, tenha paciência, se orgulhe das pequenas evoluções e se divirta!
E para quem sonha em se tornar instrutor no futuro?
Saber andar de skate é diferente de saber ensinar. Ensinar exige muita entrega, amor, paciência, criatividade e empatia com o próximo.
Se você estiver disposto e amar o que faz, tenho certeza de que vai dar muito certo e você vai ser uma pessoa muito realizada como eu sou hoje.
Perguntas de aluno(a) para o instrutor de skate: “Professor, como eu faço para aprender skate sem medo?”
Acho que não tem como aprender o skate sem medo, e se descobrir me conta kkk, porque até hoje eu também sinto medo e aquele frio na barriga de algumas manobras e em algumas situações, mas isso que torna o skate um esporte radical, o seu alto risco, e tudo que tem risco gera medo, o medo é algo natural e um alerta instintivo (é um dos nossos divertidamente kkk). O mais importante é ir com medo mesmo, mas sem pular etapa, respeitando o processo e acreditando em você mesmo.
“Quanto tempo demora para conseguir andar direitinho?”
Isso é muito individual, varia de pessoa pra pessoa. Tem pessoas que já tem um certo dom e facilidade e tem outras que são muito dedicadas e esforçadas, pode ser que ambas cheguem no mesmo lugar, mas o tempo vai ser diferente.
“O que eu preciso treinar primeiro no skate?”
Aprender a se equilibrar, descobrir a sua base, ficar confortável em cima do skate, dar boas remadas, direcionar o skate usando a ponta do pé e calcanhar, conseguir dar um bom rolê no solo e ir cada vez mais pegando intimidade com o skate pra ir tentando novos desafios aos poucos.
“Cair faz parte de aprender?”
Com certeza, acredito que no skate a gente mais cai do que acerta. Muitas vezes pra acertar uma manobra são diversas tentativas e quedas, por isso é tão importante aprender a cair, eu falo para os meus alunos que é se defender da manobra kkk
Indico que assistam o video MY WAR: Chris Joslin’s vs El toro na ThrasherMagazine que foi o skatista do ano de 2025, lá ele mostra a história de anos de tentativa para acertar uma única manobra.
“Como eu posso melhorar todo dia?”
Quanto mais vezes você fizer uma coisa, melhor você vai ficando nela. Então no caso do skate é importante você sempre dar um rolê, andar cada vez mais e o que eu indico é sempre soltar as suas manobras de base, que são as aquelas manobras que você já tem um certo domínio, porque assim você mantém elas na base antes de aprender uma manobra nova.
“Todo mundo consegue aprender skate?”
Acredito que sim. É importante destacar aqui até mesmo a modalidade do ParaSkate que nos mostra que o skate é para todos.
“O que é mais importante: a manobra ou se divertir?”
Manobrar se divertindo!
“Você também já teve medo quando começou?”
Com certeza, ainda mais que eu aprendi sozinho junto com os amigos, não tinha ninguém para nos direcionar e passar as técnicas. Foi desbravando mesmo, tentando de vários jeitos, diferentes posições do pé até uma hora conseguir acertar a manobra.
“O que eu faço quando erro uma manobra?”
Tentar analisar o porque esta errando e tentar arrumar, mas o skate é isso, erros e acertos, importante é não desistir e se não rolar em um dia, tentar no outro.
“O skate pode me ajudar em outras coisas da vida?”
Com toda certeza, o skate vai muito além do esporte. Ele ajuda no desenvolvimento mental, físico e social, ele ensina a lidar com frustrações, a ter paciência e foco, melhora o equilíbrio, a coordenação, a consciência corporal e o que eu acho que é o maior diferencial do skate são as amizades que fazemos, um sempre instigando o outro e comemorando juntos.















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