O Social Skate, dirigido por @testinhasandro, é mais do que um espaço para andar de skate — é um projeto social que usa a cultura do skate como ferramenta de educação, inclusão e transformação social. Integrando rodas de conversa, oficinas e atividades educativas, o projeto tem impactado positivamente jovens e suas famílias.


Conversamos com o diretor para entender como está o projeto atualmente, quais os desafios enfrentados e quais são as principais novidades planejadas para 2026.
Origem e Propósito
Como nasceu a ideia do Social Skate?
A ideia nasceu em 1999, quando o skate ainda era marginalizado e não tinha nenhum projeto social estruturado no Brasil. Na época, o entrevistado, junto com amigos, tinha uma marca independente chamada “Tipo Skateboard” e fazia apresentações.
Uma dessas apresentações aconteceu na antiga FEBEM do Tatuapé, um local marcado por violência e rebeliões. Ao ver os jovens internados — muitos com a mesma origem periférica, racial e social que a dele — surgiu um questionamento:
“Por que eu não estava ali junto com eles?”
A resposta foi clara: o skate foi o diferencial. Foi ali que ele percebeu que o skate poderia ser uma ferramenta de transformação social.
Qual foi o principal objetivo quando você começou o projeto?
O objetivo inicial era oferecer às crianças e adolescentes da periferia a mesma oportunidade que ele teve: conhecer o skate como alternativa à criminalidade.
Ele sabia que não seria atleta de alto rendimento, mas tinha habilidade com comunicação e cuidado com crianças. Decidiu ensinar o básico do skate para que os jovens tivessem acesso a novas perspectivas de vida.











Como você descreveria a missão do Social Skate em uma frase?
“Eu não quero mudar da periferia, eu quero mudar a periferia.”
O projeto busca transformar o território onde atua, garantindo acesso, direitos e oportunidades através do skate e da educação.
Conteúdo e Estrutura
Como o projeto integra skate com educação e cidadania?
Desde o início, o skate foi trabalhado com disciplina e valores. A educadora Tia Leila estruturou regras simples: organização, respeito, registro dos nomes, acompanhamento escolar.
O lema se consolidou assim:







“Skate é bom. Com educação é ótimo.”
O projeto atua no modelo de esporte educacional — priorizando formação humana acima do alto rendimento competitivo.
Quais são as atividades regulares oferecidas às crianças e jovens?
- Aulas de skate (nível básico e formativo)
- Organização em filas e regras de convivência
- Acompanhamento escolar
- Formação cidadão
- Uso compartilhado de equipamentos
- Atividades na comunidade
O foco não é formar campeões, mas formar cidadãos.












Vocês trabalham com parceiros ou outras organizações?
Sim. No início, amigos e marcas nacionais de skate doavam peças usadas. Em 2014, o projeto ganhou visibilidade após participação no programa Caldeirão do Huck, o que trouxe reforma da sede, materiais e premiação em dinheiro.
Depois disso, uma orientação importante levou o projeto a se formalizar como CNPJ próprio (2016/2017), permitindo pleitear recursos públicos municipais, estaduais e federais.
Impacto Social
Quais resultados vocês já conseguem mensurar?

- Atendimento contínuo há mais de 15 anos
- Início com 40 crianças, depois 50, 60 e crescimento contínuo
- Permanência ativa mesmo com troca de prefeitos
- Atuação constante na periferia, sem interrupções
O maior indicador é a permanência e o vínculo comunitário.
História de transformação marcante
O momento mais marcante foi a apresentação na FEBEM, que deu origem ao projeto.Outra transformação recorrente é ver crianças encontrando diversão, pertencimento e disciplina, em vez de competição tóxica e frustração precoce.
Como o Social Skate influencia a comunidade?
O projeto atua em uma região com tráfico, violência e escassez de oportunidades. Enquanto muitos se fecham atrás de muros, o Social Skate vai para a rua ser alternativa. Ele cria acesso onde antes havia apenas exclusão.
Desafios
Maiores desafios atuais
- Falta de recursos
- Destruição do espaço comunitário
- Dificuldade de apoio de grandes marcas (hoje administradas por corporações e bancos)
- Realidade social da periferia
Impacto desses desafios
O projeto precisa constantemente reconstruir o espaço e buscar alternativas de financiamento. Mesmo assim, mantém a atuação local como prioridade.
Próximos Passos e 2026
Metas para 2026
O foco permanece na base comunitária.
Não haverá mudança para alto rendimento.
A prioridade continua sendo transformação social e educação.
Novos programas ou expansão?
O projeto opta por fortalecer a atuação na própria comunidade, mantendo presença constante na periferia, onde há maior necessidade.
Ampliação de impacto
A ampliação passa por:
- Profissionalização institucional
- Captação de recursos públicos
- Fortalecimento da rede de apoio
- Continuidade do trabalho educacional
Envolvimento e Comunidade
Participação das famílias
As famílias acompanham, participam e reconhecem o projeto como espaço seguro.O projeto também atua como contraponto à cultura de competição excessiva, evitando frustrações e pressão indevida sobre as crianças.
Oportunidades de apoio
O projeto aceita:
- Doações de material
- Apoio institucional
- Parcerias públicas e privadas
- Contribuições voluntárias
Mensagem Final
Para os jovens
“O skate é diversão. É caminho. Mas a educação é ainda mais garantida.”O projeto não vende ilusões de fama ou medalhas. Trabalha a realidade e busca transformação concreta.
Para quem deseja apoiar em 2026
O Social Skate não busca apenas troféus.
Busca garantir direitos, acesso e oportunidade para quem não tem.
Enquanto alguns estão preocupados com medalhas, o projeto está preocupado com dignidade.
E isso é transformação estrutural.


