Entre sessões, campeonatos e evolução: a caminhada de Thiago Camacho no skate

 Diretamente de São José dos Campos, Thiago Camacho vem fortalecendo seu nome na cena com personalidade, técnica e muita vivência nas ruas. Entre sessões pesadas, campeonatos e muito corre, o skatista representa a essência verdadeira do skateboarding do Vale do Paraíba.

Sem personagem, sem mídia forçada e sempre na disposição pra andar de skate, Thiago carrega aquele lifestyle que nasce naturalmente nas sessões: amizade, evolução, quedas, vídeo parte e dedicação diária.

Em uma conversa exclusiva com o Portal Skate Vale Brasil, ele falou sobre suas influências, a cena local, momentos marcantes da carreira e como foi ganhar destaque no Cave Trippin. 

/// Fotos Vinicius Moreira

Para começar, nos conte: quem é o Thiago Camacho fora e dentro do skate?

Bom vamos la, fora do skate sou um cara comum que tem um trabalho como qualquer outra pessoa.. atualmente atuo como motorista de caminhão e operador de Munck, que e uma profissão que veio de família e também uma oportunidade de fazer meu pé de meia após o ensino Médio.. Ja dentro do skate, sou aquele cara que valoriza os bons momentos junto aos amigos verdadeiros com aquele boa e velha sessão!

Como o skate entrou na sua vida? Você lembra do seu primeiro shape ou da primeira pista que andou?

o skate entrou na minha vida acho que em torno de 2012 para 2013.. no começo eu apenas via alguns skaters locais andando e aquilo me fascinou, como eles conseguiam voar, fazer as manobras parecerem fáceis.. e isso foi o meu start, no começo eu tive um skate montado da Urgh que foi esmirilhado em poucos meses, e na sequência fui trocando as peças conforme ia precisando e subindo aos pouquinhos o nível do meu skate com os toques dos amigos que fiz no meio do skate! A minha primeira pista que andei, foi a do Vale do Sol, uma pista meio mista com algumas rampas bem tortas, um street razoável, mas pra mim aquilo ali já era foda pra começar!

Crescer em São José dos Campos ajudou na sua evolução dentro do skate? Como você vê a cena local atualmente?

Sem dúvidas! Crescer em São José me ajudou muito na minha caminhada toda! Claro que não tínhamos muitas pistas boas no começo, mas com o tempo, o pavilhão ( atual centro da juventude) passou por uma reforma, se não me engano 2016, e daí pra frente foi o principal lugar onde eu frequentava todos os dias, por várias horas, e logo após veio o Quintal skatepark em 2017, revolucionando com o único bowl da nossa cidade com coping block, corners perfeitos e DIY.

Atualmente eu vejo a cena local da minha cidade, como um lugar que foi ponto de partida e evolução pra muitos skatistas fodas, de conceito, como Arnowdy lanziloti, Márcio Roberto, Vitor Santana (Feijas). É aquela cena que tem MUITO potencial, muita pista boa, muito moleque andando… mas ainda falta aquele “peso” cultural que faz uma cidade virar referência nacional.

Quais skatistas mais te influenciaram no começo? Tem algum nome do street ou do park que você é muito fã?

Tiveram vários, basicamente eu sempre fui fã dos caras que no futuro iriam se tornar meus amigos e eu iria passar a andar com eles diariamente. Dentre eles, Rafael Tubarão, Diogo Levi, Alexandre Choco, Arnowdy, Feijão, Márcio Roberto, e muitos outros. Bom alguns skatistas que eu levo bastante como uma referencia pra mim são todos esses que citei acima, e alguns gringos como John Cardiel, Erick Winkowski, Raven Tershy, entre vários outros…

Como surgiu sua conexão com os campeonatos e quando percebeu que queria levar o skate mais a sério?

Na verdade, quando eu era mais novo, cheguei a participar de alguns campeonatos, mas eu mesmo nunca gostei muito da pressão e dos sentimentos que nos deixam apreensivos dentro desses eventos.. tanto que nunca fui muito aquele cara que sentia a necessidade de estar em todos os campeonatos, me cobrar sobre meus resultados,isso apenas foi acontecendo naturalmente.. e hoje em dia é isso, eu ando em vários eventos, mas sempre priorizo as festas do skate, que elas sim mantem a chama e o verdadeiro espirito do skate vivos ate hoje!

Nos conte como foi ser um dos grandes destaques do Cave Trippin. O que aquele momento representou para você?

Pra mim foi gratificante demais, poder fazer o meu role ali, junto aos amigos, aquela energia foda que toda sessão de verdade sempre transmite. Aquele momento representou um marco extremamente importante pra mim e pra todos que torcem pro corre dar certo. Acho que todo skatista sonha em poder sair do Brasil para uma Trip internacional, poder conhecer lugares novos, novas pistas, ambientes, pessoas, culturas.

Qual foi a manobra ou vídeo parte que você mais se orgulha até hoje?

Bom a manobra que acho que foi mais satisfatória de mandar foi um drop despencando de um muro para um Quarter que existe na pista de Caçapava- SP denominada Taiada, em um campeonato de street ainda hahaha eu não havia passado para a final como estava planejando, mas eu fui ali naquele dia para fazer essa trick, então pra mim não tinha importância se passaria ou não, mas se droparia e realizaria o drop que tanto quis.. e foram 7 tentativas, doloridas, mas necessárias para pegar o tempo da rampa e tudo, e no final das contas deu certo, acertei o drop e sinceramente, acho que eu fiquei mais feliz do que se tivesse ganhado o campeonato.. A parte ainda não soltei uma oficialmente, mas o que posso dizer nesse momento é que coisas boas estão por vir, aguardem..

Você prefere andar mais street, park, bowl ou curtir de tudo um pouco?

Por quê?

Eu ando um pouco de tudo, gosto bastante de andar nos Bowls e Parks, mas sempre tem uma sessão que a gente se joga um pouquinho pro street, pra rua também em alguns picos… o importante é estar andando de skate e aproveitando tudo.. gosto de andar um pouco de tudo porque isso é o que deixa o skatista mais completo podemos dizer assim, nem sempre iremos andar so em pistas e lugares que gostamos, então temos de se adaptar pro que vier!

Como é sua rotina atualmente? Você consegue conciliar skate, trabalho, projetos pessoais e vida social?

A minha rotina atualmente se divide bastante em Trabalho, momentos com a minha esposa e familiares, roles de skate, um tempo pra sair pra celebrar momentos e conquistas… Resumidamente tudo isso tem se encaixado de maneira perfeita, consigo fazer todos os meus corres do dia a dia, dar uma atenção pros meus projetos também, e pra vida pessoal e social..

Qual foi o pico mais difícil ou mais marcante que você já andou?

O pico mais difícil e ao mesmo tempo desafiador que andei, creio que seja a Classe D, que é uma piscina de um clube muito antigo, atualmente desativado. É uma piscina bem funda, inteira de ladrilhos, onde o tempo desgastou-os e tornou o pico muito mais difícil! Essa Pool inclusive esteve presente em um videoclipe do nosso eterno Chorão há muitos anos atrás onde eles gravaram a musica e ao mesmo tempo andaram de skate pela piscina mágica.

O skate mudou sua visão de vida de alguma forma?

Com toda certeza do mundo! E não só minha visão, como minha forma de viver como um todo.. no skate você não aprende so manobras.. aprende convivência, respeito, humildade e persistência, eu diria que é um mix de sentimentos e aprendizados que vão pra vida toda.. todo dia a gente aprende um pouquinho com quem já tem mais bagagem dentro do corre todo, e isso é o que nos faz evoluir constantemente além das manobras.

O que ele te ensinou ao longo dos anos?

O skate me ensinou que nada vem rápido… e que quase tudo que vale a pena dói antes de acontecer. Me ensinou a cair na frente de todo mundo e levantar como se fosse normal. A continuar tentando mesmo depois de errar a mesma manobra varias vezes. O skate cria uma casca que ninguém vê de fora. Também me ensinou humildade. Porque não importa o quanto você anda, sempre vai existir alguém mais liso, mais técnico, mais criativo… e isso não diminui ninguém. Pelo contrário, faz você querer evoluir sem perder sua essência. O skate mostrou que estilo vale mais que aparência. Que autenticidade pesa mais que hype. E que presença na cena não se compra, se conquista ficando anos, filmando, tomando chuva, andando em pico ruim, voltando pra casa cansado e indo trabalhar no outro dia mesmo assim. Aprendi que amizade verdadeira nasce em sessão. Porque só quem vive a correria entende o valor de dividir uma água, uma peça, um lanche ou até um “vai nessa que você acerta”. O skate também ensina muito sobre a vida adulta sem nós percebermos como a  persistência, disciplina, visão, respeito, paciência,e principalmente resistência mental.  Porque depois de anos nisso, você entende que o maior adversário nunca foi a manobra… era desistir.

Como você enxerga a nova geração do skate brasileiro e os jovens talentos do Vale do Paraíba?  

Eu vejo a nova geração muito forte e evoluindo rápido demais. Hoje os moleques já crescem com muita referência, pista boa pra andar, vídeo toda hora na internet e isso acelera muito a evolução. Mas ao mesmo tempo, acho importante não perder a essência do skate, a vivência da rua, das sessões e o respeito por quem já vem na caminhada há anos.

Aqui no Vale do Paraíba tem muito talento surgindo. Sempre teve uma cena forte no bowl e no park, e hoje a molecada vem muito técnica e sem medo de se jogar. O mais daora é ver que ainda existe união entre a galera e vontade de fortalecer a cena local. Acho que o Vale ainda vai revelar muito nome pesado pro skate brasileiro.

Existe algum sonho dentro do skate que você ainda quer realizar?

Com toda certeza, tenho vários… alguns deles como ir para a Califórnia passar uns dias, ou meses ou anos hahaha também tenho o sonho de me tornar um profissional no momento certo. Também tenho o sonho de um dia dropar a Mega rampa, concretizar uma marca minha de vestuário, e no futuro, poder realizar eventos de skate pro nosso Vale do Paraiba também..

Quem sempre esteve do seu lado apoiando sua caminhada no skate?

Com toda certeza a minha Mãe e meu Pai foram meus grandes incentivadores, apesar de desde muito cedo eu sempre ir sozinho pra pista e me virar, eles sempre torceram por mim, me ajudaram em momentos bem difíceis, então primeiramente total gratidão a eles e tudo o que sempre fizeram e fazem por mim.. e também não posso me esquecer de todos os meus amigos que sempre torceram por mim, tanto na vida quanto no skate..

Para finalizar: que mensagem você deixa para quem está começando agora e sonha viver do skate ou fazer parte da cena?

Sempre ande por amor, o skate nunca prometeu dinheiro, fama ou estabilidade. Mesmo assim a gente continua. Porque em algum momento ele deixa de ser um hobby e vira parte de quem você é. Apenas deixe fluir e aproveite a viagem !

“O skate não é só manobra. É vivência, amizade, persistência e identidade.”

Thiago Camacho


Portal Skate Vale Brasil
Histórias de skatista através do skate.

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Por Sagaz

/// Diretor de Arte por profissão e Skatista da vida. Conhecido como Julio Sagaz no Vale do Paraíba/SP, skatista overall desde 1995, passando pelas marcas Ramp Real Street/Santos, Posso! Caçapava, Posso/Adidas, Posso/RedNose e DoubleM. Atualmente é diretor da agência de publicidade e criador do maior portal de skate do vale do Paraíba a Skate Vale Brasil. O portal se destaca não apenas por divulgar os principais picos de skate, pistas, principais eventos e talentos do skate, mas também por ser a única mídia de skate que inclui LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em sua plataforma, promovendo a inclusão e acessibilidade. 🛹💥🤟🌎📌📸 #juntossomosmaisfortes #skatesalva