O skate paulista atravessa um dos seus momentos mais estruturados. Com mais eventos, maior alcance territorial e resultados expressivos, São Paulo se consolidou como uma das principais forças do skate brasileiro. À frente desse processo está Bruno Rinaldi Hupfer, presidente da Federação Paulista de Skate (FPS), educador físico e skatista ativo.
Nesta matéria, Bruno fala sobre sua trajetória, o papel da formação acadêmica na gestão esportiva e os caminhos que estão sendo construídos para o futuro do skate no estado.


/// Trajetória
Bruno, como foi a sua caminhada no skate e na Educação Física até chegar à presidência da Federação Paulista de Skate?
Comecei a andar de skate com 18 anos, eu era do surf desde os 14 anos de idade e passei a andar de skate de ladeira por conta da facilidade, já que moro perto da ladeira do Museu do Ipiranga, aos poucos fui substituindo o life styele, até trocar completamente o surf pelo skate.
Minha trajetória na Educação Física começou junto com o skate, comecei a andar no primeiro ano de faculdade por influência de um amigo do meu irmão que emprestou um skate, mesmo assim nunca achei que o skate e a educação física poderiam ser uma combinação de profissão, já que nessa época não tínhamos nem perspectiva de skate olímpico ou mesmo nem entendíamos o skate como um esporte, era muito mais um life style, uma filosofia de vida.
De que forma a sua formação acadêmica contribui hoje para a gestão e o desenvolvimento do skate paulista?
Depois de graduação, MBA, Mestrado e atuação como professor universitário, além de muita experiência na área, acho que é imprescindível que dirigentes esportivos tenha formação na área, vejo o quanto minha formação acadêmica ajuda no dia a dia da entidade, principalmente no que tange a gestão técnica da modalidade e a constituição de regras, formatos de competições e etc.
Balanço de 2025
Quais foram as principais conquistas da Federação Paulista de Skate em 2025?
Foram 27 eventos, 774 atletas atendidos, 52 categorias, 1 final brasileira e 2 mundiais realizados com participação direta da FPS, foi um ano bem intenso de grande evolução para o skate paulista.
Teve algum campeonato, projeto ou ação que você considera um marco para o skate paulista no último ano?
Vale o destaque para o grande resultado do estado nas finais brasileiras de 33 pódios possíveis tivemos 16 pódios entre as categorias de base e profissionais, todos eles que passaram pelo circuito paulista em algum momento da vida, é quase 50% dos pódios brasileiros com um estado.
Além disso tivemos a realização de 2 mundiais aqui no estado, um de Speed em Águas de Lindóia e outro inédito no hemisfério sul, de Slalom no Museu do Ipiranga.
Novidades para 2026
O que muda no skate paulista em 2026? Quais são as principais novidades em campeonatos, calendário e projetos?
O plano é tentar pulverizar os eventos, aumentar a capilaridade e conseguir um formato de competições regionais, tentar deixar mais confortável para os atletas e seus representantes.
Também temos a intenção de entrar de cabeça nos projetos incentivados e levar tanto o skate de competição quanto as escolas de skate para pólos no estado todo.
A base é fundamental para o futuro do skate. O que os jovens skatistas podem esperar da FPS?
O trabalho vem sendo desenvolvido de maneira gradual, já sentimos as mudanças de 2022 para cá, e agora temos a intenção de trabalhar para revelar atletas e facilitar a vida de quem precisa viajar para competir.
Regras e competições
Houve mudanças nas regras dos campeonatos estaduais? O que o atleta precisa saber para competir em 2026?
Nos formatos das competições e idades de categorias provavelmente não teremos nenhuma mudança em relação aos anos anteriores, mas vele ressaltar que as idades de categorias são balizadas pela CBSK, então as mudanças nessa área precisam acontecer em âmbito nacional para depois mudarmos nos estados.
Como a Federação trabalha para garantir critérios justos, transparência e segurança nas competições?
Temos um caderno técnico que é amplamente discutido e constantemente ajustado para tentar deixar o mais justo possível cada competição e temos avançado bem nisso, chegamos a um formato bem interessante que deve minimizar os erros.

Campeonato Universitário
Qual é a importância do Campeonato Universitário dentro do cenário paulista de skate?
Eu vejo uma grande importância nesse tipo de evento, uma pena eles não serem homologados pela Federação, os organizadores nunca nos procuraram para homologar os eventos, mas eu particularmente, vejo de suma importância que o esporte chegue às universidades, até para a valorização da formação universitária por parte dos atletas.
Para 2026, o universitário terá novidades ou maior integração com outros campeonatos da FPS?
Ainda não recebemos contato, mas as portas estão abertas para trabalharmos em parceria.
Parceria FPS × CBSK
Como funciona a parceria entre a Federação Paulista de Skate e a Confederação Brasileira de Skate?
A FPS é uma entidade filiada à CBSK e serve como base de sustentação institucional para a Confederação. Toda federação estadual é a grande responsável pelo trabalho de base, por levar o skate aos menores municípios e fomentar a prática e o life style do skate em seu estado, entregando para a CBSK a capilaridade que ela não consegue ter em um país tão grande quanto o nosso. Para além disso, hoje eu ocupo o cargo de Diretor de Arbitragem da CBSK, então acabamos tendo um laço bem estreito com a Confederação.
O diálogo constante com o presidente da CBSK, Eduardo, tem gerado quais benefícios diretos para os skatistas paulistas?
O Edu é um cara que, para além da capacidade de gestão e conhecimento do meio, é um skatista de alma, e isso ajuda muito no entendimento da cultura e estilo de vida do skate, ajuda no olhar para o skatista que está lá na ponta, que anda na rua e na pista do bairro, faz com que tenhamos uma política esportiva bem próxima das bases do skate. Aqui para SP o que mudou foi que passamos a trabalhar novamente com a CBSK, eventos em parceria e ajuda mútua nas entregas dos campeonatos. Ano passado fizemos o Mundial de Slalom em parceria e a Final do Brasileiro de Downhill Longboard, para esse ano temos o curso de formação de professores já com a parceria inédita entre FPS e CBSK.
Congresso Técnico Paulista de Skate
O Congresso Técnico Paulista de Skate, realizado em 2016, 2017 e 2021, teve um papel importante no alinhamento entre atletas, técnicos e organizadores. O Congresso está nos planos da FPS para 2026? Podemos esperar a quarta edição?
Queremos muito fazer, entendemos que esses encontros são os locais em que podemos debater ideias e pensar em novas questões relacionadas ao mundo do skate, nossa tentativa agora é com editais e leis de incentivo à cultura para viabilizar esse projeto, vamos ver se conseguimos tirar do papel.
Caso o Congresso aconteça, já existe uma previsão de data ou formato? E, se não estiver previsto para 2026, quais são os motivos e como a Federação pretende manter esse diálogo técnico com a comunidade do skate?
Atualmente temos a Skate Week que acontece aqui em São Paulo e acabamos participando ativamente desse evento, mas a ideia é, no mínimo organizar reuniões temáticas como as que fazemos com os organizadores de eventos todo começo de ano, para debater sobre formatos e possibilidades dos eventos de skate no estado.
Federalização, filiação e benefícios
Como funciona hoje o processo para o skatista se tornar federado pela Federação Paulista de Skate?
O processo ficou parado em 2025 por conta de problemas com o fornecedor de carteirinhas, mas deve ser retomado para 2026, é bem simples, basta fazer o cadastro no site, pagar a taxa e receber a carteirinha em casa.
Quais são os principais benefícios para quem é federado em São Paulo, incluindo novos parceiros, vantagens e oportunidades?
Por enquanto temos a parte documental como principal atrativo, que passa pelo fornecimento de documentação para bolsa atleta, abono de faltas, retirada de passaporte e ingresso em colégio e universidades. Mas para o futuro queremos garanti uma rede de descontos também para nossos federados.
E para escolas, técnicos, marcas e organizadores, como funciona a filiação à Federação Paulista de Skate?
Para escolas temos um procedimento que passa pela análise documental e a exigência de que o corpo docente da escola seja formado em nosso curso, já para organizadores e marcas temos apenas as parcerias, esses não tem previsão estatutária para filiação, então fazemos parcerias analisando cada caso. E treinadores, esses ainda não temos um curso a nível nacional institucionalizado que garanta formação mínima, então ainda não temos a filiação dos mesmos, porém, esse ano deve sair o primeiro curso de formação de treinadores em parceria com a CBSK.
O skatista por trás do presidente
Falando agora como skatista: quais modalidades você anda, com qual delas você mais se identifica e como o skate entrou de vez na sua vida?

Eu ando em praticamente todas as modalidades, mas as que eu mais tenho praticado atualmente são, Bowl, Miniramp, Dowhill longboard Slide e Longboard Classic sendo o Classic a modalidade que corro campeonatos, apesar de ultimamente não ter praticando tanto ela.
Você já competiu? Já conquistou algum campeonato ou resultado marcante? Conta um pouco dessa experiência para a gente. Competi de maneira intermitente, como estou organizando os eventos, quase nunca consigo competir, mas fui Terceiro colocado no Paulista em 2023 e 24, além de 5º colocado no circuito Brasileiro em 2016, isso tudo no Longboard Classic. O campeonato que mais me marcpou foi o Paulista de 24 em que consegui pódio pela primeira vez no campeonato aqui no Museu do Ipiranga, sempre estou organizando o evento e passo a noite em claro montando tudo, esse dia deu certo e consegui pódio, realmente foi emocionante.

Para finalizar, que mensagem você deixa para os milhões de skatistas de São Paulo — dos iniciantes aos mais experientes — que vivem o skate todos os dias?
A mensagem é que se divirtam, para além de competições, resultados e ranking, divirtam-se andando de skate e nunca mais o skate sairá das suas vidas. Eu vejo o skate como uma extensão da minha felicidade, como algo que é capaz de elevar minha potência vital ao máximo e que eu aproveito cada segundo em que estou em cima do skate, penso que essa sensação é incomparável e que eu quero tê-la durante o tempo em que estiver vivo, viver para o skate e não viver do skate!


