Mid90s: Skate, amizade e caos nos anos 90

Sinopse

Ambientado em Los Angeles, em meados dos anos 1990, Mid90s acompanha Stevie, um garoto de 13 anos que vive uma fase complicada dentro de casa e encontra no skate uma porta de entrada para um novo mundo. Ao conhecer um grupo de skatistas mais velhos, ele começa a passar cada vez mais tempo com eles e descobre uma realidade completamente diferente daquela que conhece.

Entre sessões de skate, conversas, festas e descobertas típicas da adolescência, Stevie começa a experimentar uma sensação de pertencimento. O grupo se transforma em uma espécie de família improvisada, ao mesmo tempo em que apresenta ao garoto situações e comportamentos para os quais ele ainda não está preparado.

Mais do que contar uma história sobre skate, Mid90s fala sobre crescer, procurar referências e tentar descobrir quem somos quando ainda estamos formando nossa própria identidade.

Por que assistir?

Mid90s merece atenção principalmente pela maneira como transforma uma história aparentemente simples de adolescência em um retrato muito particular de uma época.

O skate é parte fundamental desse universo. O filme mostra a rua como espaço de convivência, aprendizado e liberdade, em uma época anterior à presença constante dos smartphones e das redes sociais. A amizade acontecia pessoalmente, e boa parte das experiências dos personagens estava ligada ao que acontecia nas ruas.

Essa sensação é reforçada pela estética do filme. Jonah Hill opta por uma fotografia em película de 16 mm e pelo formato 4:3, criando uma imagem que lembra registros domésticos e vídeos antigos. O resultado não parece apenas uma tentativa de reproduzir os anos 90: o filme realmente transmite a sensação de estar olhando para uma memória daquela época.

Mas existe uma razão ainda mais importante para assistir: por trás da nostalgia existe uma história sobre amadurecimento. Stevie quer ser aceito, quer parecer mais velho e quer encontrar um lugar onde possa se sentir importante. E é justamente nessa busca que ele começa a descobrir que crescer também significa lidar com consequências.

Destaques do filme

Um dos grandes destaques de Mid90s é o elenco. Sunny Suljic interpreta Stevie com uma naturalidade que combina perfeitamente com a proposta do filme. Seu personagem é curioso, inseguro e, ao mesmo tempo, determinado a fazer parte daquele grupo.

Ao redor dele estão personagens com personalidades bastante diferentes. Ray, interpretado por Na-kel Smith, funciona como uma das figuras mais equilibradas entre os skatistas. Já Fuckshit, vivido por Olan Prenatt, representa o lado mais inconsequente e caótico daquele universo.

Lucas Hedges também chama atenção como Ian, o irmão mais velho de Stevie. A relação entre os dois ajuda a explicar por que o garoto procura tanto a companhia dos skatistas. Dentro de casa, Stevie encontra tensão e violência; na rua, encontra amizade, admiração e a possibilidade de construir uma identidade própria.

Outro destaque é a direção de Jonah Hill. Em vez de transformar cada momento em uma grande cena cinematográfica, Hill frequentemente deixa a câmera observar os personagens. São justamente esses momentos aparentemente pequenos — uma conversa, uma sessão de skate ou simplesmente os amigos passando tempo juntos — que ajudam a construir a personalidade do filme.

A trilha sonora também desempenha um papel importante na construção do período retratado, ajudando a transportar o espectador para aquele universo.

Curiosidades

Mid90s marcou a estreia de Jonah Hill como diretor. Conhecido principalmente por seus trabalhos como ator, Hill decidiu assumir também o roteiro e a direção do projeto.

O filme foi produzido pela A24, estúdio conhecido por apostar em produções independentes com forte identidade autoral.

A escolha do formato 4:3 e da película de 16 mm foi fundamental para criar a aparência visual do longa. A intenção era aproximar a imagem da linguagem visual encontrada em vídeos e registros da década de 1990.

Outro ponto interessante é a presença de skatistas e nomes ligados à cultura do skate no elenco. Isso contribui para que as cenas de skate tenham uma naturalidade difícil de reproduzir quando todos os personagens são interpretados por atores sem familiaridade com a modalidade.

O próprio Jonah Hill já declarou sua ligação pessoal com a cultura do skate e com a estética dos anos 1990, elementos que acabaram influenciando diretamente o projeto.

Nossa análise

Mid90s funciona melhor quando não tenta transformar o skate em uma simples metáfora. O skate está ali porque faz parte da vida daqueles personagens. É através dele que Stevie encontra novas amizades, descobre lugares, experimenta liberdade e começa a entender o mundo fora de casa.

E talvez seja justamente isso que torna o filme interessante para quem gosta de skate. Não estamos diante de uma produção construída apenas para mostrar manobras ou transformar skatistas em heróis. O skate aparece como parte de uma cultura, de uma rotina e de uma maneira de ocupar a cidade.

Ao mesmo tempo, o filme não romantiza completamente esse universo. Os personagens são jovens, e muitos deles estão tentando descobrir seus próprios limites. Existe diversão, mas também existem comportamentos irresponsáveis, violência, pressão para amadurecer rapidamente e situações que podem deixar marcas.

Stevie é o personagem perfeito para conduzir essa história porque ele está sempre observando. Ele quer aprender a andar de skate, mas também quer aprender a ser como aqueles garotos que admira. O problema é que admirar alguém não significa necessariamente entender tudo o que essa pessoa faz.

Essa é uma das partes mais interessantes do filme: Stevie passa boa parte da história tentando parecer mais velho, quando ainda é claramente uma criança.

O resultado é um retrato de adolescência que mistura nostalgia e desconforto. Para quem viveu os anos 90, existe o prazer de reconhecer roupas, músicas, equipamentos, ruas e comportamentos. Para quem não viveu aquela época, o filme funciona como uma espécie de janela para um período em que a cultura jovem era muito mais concentrada nos espaços físicos e nas relações presenciais.

Mid90s não é um filme perfeito e também não pretende apresentar uma grande história cheia de reviravoltas. Sua força está justamente na simplicidade. Jonah Hill prefere acompanhar aqueles personagens e deixar que o espectador construa sua própria relação com eles.

No fim, o skate é apenas uma das portas de entrada para uma história maior: a de um garoto tentando descobrir onde se encaixa.

E talvez seja por isso que Mid90s continue interessante mesmo anos depois de seu lançamento. A década mudou, a tecnologia mudou e a maneira como os jovens se relacionam mudou. Mas aquela necessidade de pertencer a algum lugar continua exatamente a mesma.

Trailer oficial

O trailer oficial de Mid90s apresenta o universo do filme, seus personagens e a atmosfera da Los Angeles dos anos 90, com destaque para o grupo de skatistas que passa a fazer parte da vida de Stevie.

Ficha técnica

Direção: Jonah Hill

Gênero: Drama / Comédia dramática / Coming-of-age / Skate

País: Estados Unidos

Ano: 2018


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Por Sagaz

/// Diretor de Arte por profissão e Skatista da vida. Conhecido como Julio Sagaz no Vale do Paraíba/SP, skatista overall desde 1995, passando pelas marcas Ramp Real Street/Santos, Posso! Caçapava, Posso/Adidas, Posso/RedNose e DoubleM. Atualmente é diretor da agência de publicidade e criador do maior portal de skate do vale do Paraíba a Skate Vale Brasil. O portal se destaca não apenas por divulgar os principais picos de skate, pistas, principais eventos e talentos do skate, mas também por ser a única mídia de skate que inclui LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em sua plataforma, promovendo a inclusão e acessibilidade. 🛹💥🤟🌎📌📸

18/08/2026 12:57 PM

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