SEM HYPE, SEM FILTRO: A VIVÊNCIA REAL DE PAULINHO RUDE BOY

Antes de grandes estruturas, transmissões ao vivo e arenas lotadas, o skate brasileiro era movido por atitude, iniciativa e muita mão na massa. Foi nesse cenário que surgiu Paulinho Rogério Davi, o Paulinho Rude — um dos nomes mais ativos e influentes na construção do skate no país.

Desde o final dos anos 70, quando teve seus primeiros contatos com o skate, Paulinho não apenas acompanhou a evolução da cena, como ajudou a moldá-la em diferentes frentes. Das pistas às marcas, da gestão ao microfone, sua trajetória se mistura com a própria história do skate brasileiro.

Conhecido hoje como uma das vozes mais emblemáticas dos eventos, sua presença vai muito além da locução. Por trás do microfone existe um profissional que participou diretamente da formação de equipes, desenvolvimento de marcas, estruturação de eventos e até da profissionalização da arbitragem no país.

Nesta entrevista, ele abre o jogo sobre passado, presente e futuro do skate — com a visão de quem vive isso há décadas, dentro e fora das pistas

Paulinho Rude Boy, Christian Hosoi , Edsinho


Galeria de peso!

Fotos: Arquivo pessoal.


Como foi seu primeiro contato com o skate lá em 1977 e o que aquele momento despertou em você?

Minha primeira experiencia com skate em 1977 aos meus 9 anos, se deu por minha família se mudar para um bairro novo em São Caetano do Sul, minha cidade natal. Por ser um novo bairro com asfalto liso e mescla entre ruas planas e algumas ladeiras, bem como novas construções, onde madeiras e tapumes eram material abundante, este lugar foi alvo dum grupo de jovens que estavam na onda dos movimentos culturais e musicais efervescentes da época! Jovens que descobriram uma ferramenta de liberdade e afirmação de identidade o SKATE! Este lugar foi intitulado SILENCE SKATES. Meu irmão eu e mais outros amigos, nos vemos literalmente enfeitiçados (no bom sentido) por este movimento e pelo seu condutor o Skate.

O que te manteve firme no skate ao longo de tantas décadas?

O que me manteve no skate firme até hoje, foi a forma como ele se apresentou em minha vida. Algo que me impactou e me contagiou de verdade. Ter recebido tal universo de pessoas que me ensinaram a riqueza, sabedoria e ensinamentos que fazem parte da cultura e Life Style do skate. Ter Alvaro Codevilla, Surfão, Beijo, Robson, Zinho, Lilian, Luiza e todos os demais originários do Silence Skates, foi um presente que recebi e vou carregar pelo resto de minha vida

Olhando pra trás, qual foi a maior transformação que você viu no skate até hoje?

Vejo que a maior transformação que aconteceu no skate foi a disseminação dessa cultura, ou seja, a transformação não foi no skate e sim a que o skate gerou! Transformando Pessoas! Que por opção de gêneros, culturais, musicais, comportamentais estavam SÓS, viviam em grupos com pouco entrosamento e aceitação! Aí surge o skate recebendo a todos e a tudo que foi transgressor ou não, unindo tribos, e dando a oportunidade de que cada uma se manifestasse, através do skate e seu life style suas vontades, anseios, angustias, alegrias e conquistas

CONSTRUÇÃO DA TRAJETÓRIA

Quando você percebeu que sua missão no skate ia além de andar?

Percebi através de meus antecessores que o skate ainda mais no Brasil, dependia de pessoas que buscavam a manutenção da cultura em todas suas vertentes, Vi de perto todas as faces do skate, dentro de casa meu irmão Edsinho, como skatista, lutando pra se tornar um Rider (skatista de competição) de elite, bem como muitos e muitos amigos na mesma trajetória, vi amigos criando os movimentos de eventos e campeonatos que movimentavam a cena e o mercado, ví amigos construindo a indústria e  que movimentava as oportunidades de patrocínios, ví amigos criando mídias e formas de divulgação da nossa cultura, vi amigos ajudando amigos patrocinando, assistindo e auxiliando como podiam uns aos outros, o que na época passou a ser os patrocínios. Tendo esse entendimento e sabendo comigo mesmo que eu não seria parte da elite andando mesmo amando e andando todos os dias, comecei de forma natural espontânea a me envolver em diferentes seguimentos

Como nasceu a Rude Boy e qual foi o impacto real da marca na cena brasileira?

A RUDE BOY SKATES nasceu de forma natural, a princípio meu amigo e irmão da vida Marcos Fracchetta e eu, vivíamos intensamente o Life style, íamos aos eventos e campeonatos, andávamos e adorávamos conhecer novos picos de skate, precisávamos de dinheiro pra isso. Nossos pais não nos proibiam, mas também não nos patrocinavam. E ao mesmo tempo enxergávamos novas coisas acontecendo, tendencias, e passamos a ver e conectar tudo isso. E a Forma de nos expressarmos e também expressar o que sentíamos e que também representava muitos que nos cercavam. E ao mesmo tempo, enxergamos a forma de mantermos nosso sonho vivo! Desta forma iniciamos uma marca que colocasse pra fora toda essa efervescência que vivíamos. Começo duro tudo made by ourself (feito por nós mesmos) desde criação, fotolitos, mesa de revelação, telas de silk screen, silkar camisetas, estampar os Shapes, adesivos, etiquetas, enfim fazíamos de tudo, mas o que não esperávamos que o sonho tomasse proporções como tomou!

Como funcionava montar uma equipe de skatistas naquela época, sem a estrutura que existe hoje?

Bem quanto ao time da Rude Boy, sempre foi algo muito especial, pois grande parte dele aconteceu de forma natural, até parecia algo estratégico demais, mas na verdade fluía, pois grande parte do riders iniciaram suas trajetórias conosco, ou bem no começo de suas carreiras. Era um lance de identificação entre skatistas. O primeiro grande rider da marca foi meu irmão, Edsinho, que já na transição pra PRO viu e também se identificou com a marca e se tornou um dos sócios na empreitada! E aí foram vindos os primeiros Fabiano Neguinho, MAD, Cassio Jocasta, os mais próximos por estarem conosco no início da trajetória, Marcio Tarobinha, Rodrigo Rosales Chileno, Ricardo Incerpi Mikuim, Fabiano Bianchin Biano, Sandro Dias Mineiro, Robervaldo Tio outros amigos de sessão como Samuca. Outros por entendermos que o Brasil não era só Sul e Sudeste, que o skate pertencia a todos, aí uma questão de identidade e estilo. No nordeste Lucio Moskito, Charles Reginaldo, Alison Castro, Ilzeli Confessor… A lista é gigante!!! São muitos e todos importantes! São skatistas de espalhados por todo território Brasileiro, minas por exemplo, Henrique Vitoria, Guilherme Alano o Pequeno, Rogério Xipan…Enfim como disse a lista é enorme Wolnei dos Santos, Reco, Duzinho, Bundinha Campon, Ruda Lopes, Ricardo Pires, Flavio Pi. Enfim desde o extremo Sul até o Norte do país haviam representantes da RUDE BOY SKATES em diferentes categorias e modalidades

A pista de São Caetano virou um marco. O que fez aquele espaço ser tão importante?

A pista de São Caetano, sim foi um dos marcos mais importantes na história do skate nacional, sem falsa modéstia. A História e relatos confirmam! Lá inserimos pessoas conectadas ao skate de forma visceral, aplicamos conceitos que socializavam o skate, e que faziam a maquina que envolvia o skate 360º girar.  O ponto culminante foi entender que se a pista fosse gerida por administradores esportivos de outras categorias ou tratada como equipamento de lazer, o que de forma errada acontece até hoje, não teríamos progresso e adesão! Então com a nossa associação pleiteamos com muita luta o processo de Cessão do espaço, e com isso implantamos o formato de Skate Clube. Aonde podíamos gerir, ter a processo de arrecadação dos sócios, permissão de benfeitorias sem processo público, limpeza e condução do formato de eventos e rankings. A pista era mutante, passava por manutenção, reforma e implementação de novos obstáculos de 6 em 6 meses.

A pista se tornou referência em ativações, eventos e reunião do skate nacional! Skatistas de todo brasil sonhavam em vir conhecer, andar e se sentirem inseridos de verdade na cena.

La foi implantado o circuito de base que até hoje pode ser considerado um dos mais efetivo e longínquo de forma ininterrupta. Foram anos que realizávamos o circuito com ao menos 6 etapas e chagamos a ter 10 etapas amadores (incluindo na maioria das etapas o street feminino) e dois eventos profissionais num único ano

Lá todos prezavam pelo lugar. Lá todos se sentiam integrados, respeitavam ter suas carteirinhas de sócios. As quais tive a honra de assinar mais de 6.000 delas. Chegamos a ter 6.000 associados, fora os Skatistas que vinham e utilizavam o espaço como diaristas. Tínhamos rotatividade média por final de semana de 3 a 4 mil pessoas entre skatistas e visitantes. A pista lotava de pessoa que iam assistir as sessões.

Outro ponto importante, como já falei, mas vale ressaltar, era a presença da classe de skatistas desde a diretoria da associação, ao plantel de funcionários da entidade e de colaboradores em atividades específicas (eventos) todos da cena do skate. Nomes como Sérgio Negão, Cris, Fabio Luis, Ademir Mimi, Sr. Alípio o Tiozinho do Gelinho…Figura Folclórica do skate, Vildner da Styllos (responsável pela solicitação formal da construção da pista), Dominó, Lécio Neguinho, Tio Liba, Cassio Narina e outros mais. Assim nosso DNA SKATEBOARDING estava alí preservado. Ideias colaborações eram constantes e muito produtivas

Lá nomes se consagraram, lá nomes surgiram, lá programas, vídeos, vídeos clips de bandas eram gravados lá a cena era fomentada.

VIRADA E IDENTIDADE

Como aconteceu sua virada dos bastidores para o microfone?

O início como locutor announcer aconteceu com convite de um amigo. Toshiro Shibayama! O TOSHA skatista e empresário foi responsável por organizar e difundir o skate pelo interior de São Paulo, fazendo o primeiro circuito de Skate da região. Eu costumava patrocinar com a Rude Boy, levar o time e ajudar no que era possível! Num dado momento, se não me engano quem fazia a locução pra ele era o Daniel Trigo da Sims, que optou por se mudar pra américa. Nesse momento o Tosha me conhecendo, me disse que me comunicava bem e podia ajuda-lo assumindo o papel de locutor! E assim foi início década de 90. Me senti a vontade conhecia os skaters, familiarizado com as manobras e com coração e mente aberta pra colocar em prática o que via de meus antecessores, como Marcio Tanabe, Ricardo Barbeiro, Guto Gimenes, Paulo Lima

O que diferencia uma locução comum de uma locução que realmente levanta o evento?

O Skate é pura energia, plasticidade, movimentos radicais literalmente! A altura a extensão e complexidade mexem com o imaginário humano. A Locução tem de ser um complemento bem aplicado, e assim sendo SIM, levanta a galera que prestigia os Skatistas

Qual foi o momento mais intenso ou inesquecível que você já viveu narrando?

Vivo a Locução de eventos a 31 anos, difícil dizer qual seria o momento mais marcante! Ter anunciado Tony Hawk, Cristian Hosoy, Duane Peters, Jeff Grosso, Mike Mac Guill, Eddie El Gato, Pat Gnorro, Valely, John Cardial, Andy Mac, Rune Glifberg, Omar Hassan, Stevie Cabalero, Eric Koston e dezenas de outros skatistas que eram e são nossos ídolos foi e tem sido incrível, independentemente do evento! Mas mais especial ainda foi ter dado a voz e acompanhado dezenas de Brasileiros que ví nascer no skate e que ganharam o mundo sendo referência, colocando o Brasil no mapa mundial do skate! São tantos que poderia escrever um texto só com esses nomes! E feliz por Gringos e Brasileiros reconhecerem e gostarem do meu trabalho… Encontrar skatistas de décadas que chegam e me cumprimentam dizendo “uma salva de Palmas” em português. Ou os Brasileiros que recebem com carinho um cumprimento com yep yep yep…. Ou chegam e me chamam de FELLA, forma a que me reporto a eles! Com amizade e amor no coração

MERCADO E INDÚSTRIA

Como você analisa a evolução do mercado de skate no Brasil ao longo dos anos?

O mercado no Brasil é uma verdadeira montanha Russa. Sobe e desce constante. Nosso mercado, não só do skate, é frágil, pois fatores externos e internos sempre são preponderantes para esse sobe e desce! Dólar, inconstância mercado americano, inconstância mercado Brasileiro, Skate conectado a muitas vertentes, que em tempos ajudam e em outros atrapalham por não estarem conectadas como outrora. Digo a música por exemplo. A alteração do comportamento dos próprios skatistas, que tem liberdade de se expressar como querem, mas que esqueceram que a indústria do skate, que na grande maioria das vezes os provem.

O que o público de fora não entende sobre o lado profissional e comercial do skate? O publico de simpatizantes ou inspirados, segue o que o CORE (SKATISTA) está passando como comportamento, como se veste, o que consome. Dou um exemplo a anos atrás, digo ate 8 a 10 anos passados, você estava num evento de skate, o publico estava trajado com as marcas de skate. Vestindo, calçando, ou seja, consumindo com propriedade! Hoje isso não mais acontece, pois nem os próprios skatistas o fazem! Pois as musicas que ouvem, não interagem mais com nosso mercado e Life style. Mesmo os poucos grupos e cantores e cantoras, que ainda tem algum vínculo real com nosso seguimento, não usam mais marcas de skate. Se falarmos dos anos 80,90 e começo 2000….Todas as bandas, grupos e artistas que tinham conexão com os joven Susavam os produtos e marcas do SKATE, gerando uma troca sincera e produtiva ao mercado.

Com a RUDE BOY mesmo, patrocinamos Charlie Brown Junior, De Menos Crime, DMN, Marcelo X’s, Pivete e Branco, mandávamos roupas pra Edson Gomes, Morrão Fumegante. Fora patrocinar shows de inúmeras bandas que faziam parte da nossa cena! RPW, Consciência  Humana, O Negro, Dead Fish e por ai vai!   


Nos dávamos ao artista a identidade a conexão com as ruas eles nos davam a trilha sonora e exposição ao publico que simpatizava com essa sinergia entre skate e Life style (pistas e rua) e a trilha sonora que cantava esse estilo de vida

Hoje, quais são os maiores desafios de manter marcas fortes dentro do skate nacional?

O grande desafio das marcas de skate, é buscar a reconexão, desde os skatistas até o publico simpatizante e inspirado. Com skatistas é passar a importância da conexão marca e skatista, ter próximo quem realmente leva o DNA da marca. Mostrar que há troca! Voltar a conectar skatistas e marcas ao público, ativações não só grandes eventos. Tours, vídeo partes, enaltecer artistas que levam nosso DNA. Embora tenhamos grandes eventos de skate, sinto a desconexão com o publico que pode consumir e fazer a roda do mercado girar.

CENÁRIO ATUAL E VISÃO CRÍTICA

A entrada do skate nas Olimpíadas mudou o jogo — mas o que mudou de verdade pra você?

A entrada do skate nas olímpiadas foi algo orgânico com o crescimento e reconhecimento do skate. Como tudo na vida há prós e contras! Mas aí cabe lidar com a situação e trazer o melhor, os benefícios a tona! Em minha visão se soubermos levar o CORE o nosso Life style, esmo que de forma adaptada aos formatos esportivos, vamos ter benefícios! Pois há uma grande exposição! Pois há investimento da área esportiva, isso em diferentes camadas. Seja publico ou privado. Que possamos dessa cena levar oportunidades a diferentes gerações do skate, como vem acontecendo, mas ainda acredito que de forma rudimentar, isolada. Não com uma plataforma mais organizada e com bases e demonstração real. Se veem o skate como esporte, que o tratem como! Não só tendo Atletas, mas sim todas as camadas que envolve o esporte com skatistas envolvidos. Digo isso mais pra parte organizacional de entidades públicas e privadas.

Na sua visão, existe um risco real do skate perder sua essência?

Quanto ao skate perder a essência, acredito que NÃO! Digo, pois, ontem havia, hoje há e amanhã haverão Skatistas verdadeiros mantendo a chama acesa. O que pode oscilar é a intensidade desta chama, mas sempre estará acesa.

Como você enxerga a nova geração que está surgindo no skate brasileiro?

As novas gerações do skate nacional estão muito bem tecnicamente. Mas talvez pouco conectadas ao real espirito do Skate. Isso bem pontual há os que recebem isso ou enxergam! E há os que por influência e ou opção própria só veem o esportivo. Acredito que o skate Brasileiro ainda é uma grande potencia em termos técnicos! E sonho e peço que continuemos a ser uma referência no Life style e amor aos conceitos do SKATE!

O que não pode faltar em um evento de skate para ele realmente funcionar?

Um evento pra ser evento de skate tem de ter o skate como protagonista, seja ele representado por skatistas de verdade, que dentro do possível possam levar o real Life style da nossa classe. Que marcas de skate estejam envolvidas. Que estas tenham oportunidade de exposição, pois são elas que revelam os skatistas, que os apoiam quando ainda não são os protagonistas. São elas que promovem o skate, os bairros, vilas, pistas e ruas! Nas comunidades! Não podem faltar a mídia especializada, os comunicadores do Skate! Pois a nossa ótica é única e verdadeira.

Qual é o papel das mídias independentes na construção e fortalecimento da cena?

As mídias independentes são nossos interlocutores, pois leva nossa essência, nossa verdade e a nossa forma nos comunicarmos! Levam a verdade! E não o enlatado, não o formato que querem que o skate seja. As mídias especializadas levam o que o skate realmente é! 

O Brasil ainda é uma potência no skate mundial? Onde estamos fortes e onde precisamos evoluir?

Sim como já mencionei sim somos uma força, uma potencia mundial. E o melhor vejo renovação constante! Estamos fortes tecnicamente, mas como o jogo na maioria das vezes tem conotação esportiva, precisamos melhorar o mental! Forjar o espírito, a mente e o coração dos skatistas. Aprender e nos fortalecer com derrotas, criar objetivos e perspectivas, mas dentro da realidade de cada um. Mostrar a todos que todos são capazes, que depende só de sí e de boas escolhas e direcionamento. Lidar com a vitória com mais naturalidade, pois assim no dia da derrota ou insucesso a dor não te destrói! A vitória, é uma vitória, uma conquista, mas é efêmera também pois vem e vai! Apreender que um dia se ganha e outro se perde! Viver o presente, pois viver muito o passado deprime

Como locutor oficial do STU National e do STU Pro Tour, como é fazer parte dessa “família STU” — e conta pra gente também alguma situação engraçada ou inusitada que já rolou durante um evento?

Bem poder fazer parte da CREW da plataforma STU, é incrível, pois hoje se configura um dos grandes palcos para a cultura do SKATEBOARDING. Else prezam vários pontos importantes da nossa cultura, primam pela igualdade de gênero e abrem as portas pro skate adaptado. Mas importante mencionar que tão importante quanto, é estar em outras plataformas e eventos, mesmo que sejam menores, atinjam categorias de base, ou ainda maiores com a elite e conotação mais esportiva, desde que levem e cultuem nosso Estilo de Vida ou nosso lado Esportivo! Poder estar em eventos como, Vert Battle, Mega Park, Aloha Festival, Yale Annual, Old is Gold, Suzano Jam, SLS Take Over, e até mesmo no Mundial de Skate! Me deixam feliz e orgulhoso! Saber que ainda estamos atuantes e acompanhando a cena e o progresso do Skateboarding.

Na época em que você atuava como instrutor nos cursos de árbitros, além de funções como diretor financeiro e diretor de arbitragem, como foi participar da estruturação e profissionalização da arbitragem no skate brasileiro — e quais foram os maiores desafios naquele processo?

Participar dos processos da evolução do Skate no Brasil, em diferentes frentes, sempre foi e é muito gratificante. Especificamente falando de CBSK, estive nas entidades que a  precederam ! Sempre estivemos próximos e atuantes. Na CBSK especificamente,  foram duas gestões, estivemos na área financeira, que foi um marco pois a entidade começou lidar com recursos federais, patrocinadores, e por outro lado gerir este orçamento de forma produtiva ao progresso do skate. Lidando com algo que nunca é fácil, estabelecer prioridades. Pois há diferentes visões e impressões sobre o skate. Mas na CBSK há sim uma prioridade de conotação esportiva, pois daí os recursos veem.  Já em nossa passagem pela diretoria de arbitragem, a ideia era cria os processos, padrões e normas. Além de difundir estes ideais. O Brasil sempre foi referência no skate. Seja em performance, mercado, indústria, Life style e não poderia ser diferente na organização,  na área institucional e organizacional. Ter a honra de estar passando conhecimentos, criar a cartilha de curso de locutores da entidade, bem como estar próximo duma equipe incrível que criou, desenvolveu padrões e processos com maestria, só me da orgulho. Marcio Tanabe, Gyrão, Ale Vianna, Ed, Hiroshi, Christopher Beppler, Marcelo Santos e muitos outros, são a base dum trabalho que nos coloca entre os melhores do mundo. Hoje somos um time de dezenas de pessoas qualificadas e gabaritadas a estar nos maiores e melhores eventos do Mundo

Depois de tudo que você viveu no skate, que legado você quer deixar para as próximas gerações?

Minha vida é o skate Brasileiro, minha família os skatistas, feliz em dedicar uma vida ao que amo! Um legado, seria consciência! Mostrar que o skate é maior que nossas vontades próprias, que ele representa uma nação que concorda e discorda de pontos de vista. Que almeja e sonha, mas nem sempre da mesma forma! Então ter consciência de fazer pelo plural, ter justiça pois assim tudo que fizer por menor que seja vai impactar de forma positiva e plural. O skate só se tornou o que é, pois, desde o começo foi uma porta aberta a receber a todos, sim a todos de forma incondicional. Que assim permaneça. Diversão, Comprometimento, Amor e dedicação, são palavras que deixo como legado. E que elas possam tocar mente, alma e coração dos verdadeiros SKATEBOARDERS!

Tamo junto!   


Com uma trajetória que atravessa gerações, Paulinho Rude segue sendo uma peça fundamental na engrenagem do skate brasileiro. Seja no microfone, nos bastidores ou na construção de oportunidades, sua presença continua influenciando diretamente a cena.

Em um momento em que o skate vive transformações profundas — entre o crescimento global, a presença olímpica e os desafios do mercado — vozes como a dele ajudam a manter o equilíbrio entre evolução e essência.

Porque, no fim, mais do que narrar manobras, Paulinho Rude narra histórias. E poucas pessoas podem dizer que ajudaram a escrever tantas delas dentro do skate no Brasil.


Matéria exclusiva para o Portal Skate Vale Brasil. Abril de 2026

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Por Sagaz

/// Diretor de Arte por profissão e Skatista da vida. Conhecido como Julio Sagaz no Vale do Paraíba/SP, skatista overall desde 1995, passando pelas marcas Ramp Real Street/Santos, Posso! Caçapava, Posso/Adidas, Posso/RedNose e DoubleM. Atualmente é diretor da agência de publicidade e criador do maior portal de skate do vale do Paraíba a Skate Vale Brasil. O portal se destaca não apenas por divulgar os principais picos de skate, pistas, principais eventos e talentos do skate, mas também por ser a única mídia de skate que inclui LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em sua plataforma, promovendo a inclusão e acessibilidade. 🛹💥🤟🌎📌📸 #juntossomosmaisfortes #skatesalva